O que sobra na fúria, falta no Brasil...

   Foto: Alex Pantling, Fifa/Getty Images

Foi a primeira Copa do Mundo com sede tripla: México (onde, inclusive, teve a abertura), Canadá e EUA (palco, inclusive, da final, realizada no domingo). 

Em 2030, serão 6 países... 

Foi a primeira também, com mais participantes: 48 seleções e que Infantino pensa em inchar mais ainda, no futuro. 

Levando pra 64... 

E, igualmente, com mais jogos: maratona de 104...

Cuja a última, foi a final de ontem, em Nova Jersey, beira de Nova York. 

Se não nos mais de 80 presentes, via arquibancadas, mas dominada no campo pela Espanha. 

Seleção que caducou na estreia, diante da organizada e aventureira Cabo Verde. 

Só que a fúria, assim como no seu, então, único título mundial, em 2010, cresceu nas rodadas seguintes. 

Ok, Yamal e Nico Wiliams, destaques do caneco da Euro, em 2024, podem ter vindo de contusão e não brilhado intensamente, agora. 

Quando este blogueiro fala de futebol (claro, jogado em campo), procura destacar, invariavelmente, o papel do meio-campo. 

Como diria um ex-meio-campista, argentino que, inclusive, jogou no  Real Madrid e na própria seleção Argentina, na Copa de 94, Fernando Redondo: "o jogo de futebol se decide no meio-campo". 

Claro que defesa e ataques são muito importantes. Aliás, fora Lamine Yamal, Oyarzabal e Baena, foram fundamentais no triunfo espanhol. Além de Ferran Torres, que anotou o gol do título, ontem, no 2° tempo da prorrogação, MetLife Stadium. 

Ferran, não foi revelado, mas atua no Barcelona. Clube que formou 8 dos 26 atletas campeões mundiais, neste domingo. E desses mais de 20, assim como na Euro de 2024, nenhum jogador do lendário Real Madrid. Nenhum. 

Trabalhar a base, não requer, apenas dos grandes clubes. O apostado e prestigiado (com muitos méritos), Luís de La Fuente, sabe isso, como ninguém... 

E de seu trabalho, em conjunto com as bases espanholas (mesmo que na essência, também as suas origens tenham a ver com outros países. O Blog já escreveu a respeito), saíram defensores de quilate: Porro (que ainda deve evoluir na carreira...) e Cucurella (pode ser chato, mas eficiente na marcação e como poucos, ataca bem pela ponta e por dentro. Não a toa, comprado, agora, a peso de ouro pelo Real Madrid), são laterais a nível mundial. 

Nível que o zagueiro Cubarsí, ainda deve acrescentar. O outro zagueiro, Laporte, mais rodado, também é bom. Assim como o bom e confiante goleiro, Unai Simón. 

Cujo só foi vazado a única vez. Nunca uma seleção campeã da Copa do Mundo, havia levado somente um gol, durante o torneio. 

Impressionante como eles marcam com a bola, em conjunto, compactado, unido. Aí, tendo a maioria absoluta da posse de bola (produtiva e ofensiva, geralmente), não corre riscos. Ou se perde, justamente a posse dela, está todo mundo agrupado. 

Em volta dela, dificilmente toma um contra-ataque. Daí, pega o domínio  individual, da bola, do campo e coletivo...

Aí, voltando ao meio-campo, independente da quantidade de jogadores, dos adversários e mesmo dos sistemas, todos os eles marcam, passam e chegam ao ataque. Todos, e com qualidade. 

Rodri, merecidamente, eleito o melhor jogador da Copa. Ainda que poderia ter sido Messi e outros atacantes que se destacaram: M'Bappé, Kane, Haaland...

Até Vinícius Jr, exceto no vexame, pra bem armada Noruega, de Solbakken. 

Aliás, Ancelotti, pode ter errado na convocação (inclusive, na contestada de Neymar), escalações, mexidas e trocas de atletas e sistemas, mas a seleção está sem um centroavante a nível mundial, faz tempo. Igualmente nas laterais e... No meio-campo. 

Aliás, voltando pros espanhóis: até Zubimendi, reserva de Rodrigo, é bom. Olmo, Fabián Ruiz, Pedro, Gavi, Merino, são ótimos armadores. E sem precisarem ser "camisas 10", que só esperam "bola no pé", pra ver o que fazer e sem marcar ninguém. Não são os "únicos meias de ligação" da equipe.

Outras seleções e alguns times no mundo, também, têm ótimos armadores e não dependem tanto de estocadas individuais, em cima de pontas. Ou de cruzamentos, muitos aflitos, para a área adversária. 

Principal problema, ainda, do futebol jogado no Brasil e da seleção brasileira. 

Difícil você ver a Espanha correndo pra trás, errado. Coisa que mais ocorre no Brasil. 

Falta a CBF e técnicos brasileiros, um trabalho, não apenas, melhor estruturado na base (não dá pra viver só de "origem" e "intensidade". A Espanha tem isso, porém vai além), mas como de mentalidade. 

A mentalidade brasileira está errada, ultrapassada, mesquinha, desorganizada, ainda feita pra vender e "futuras jóias" ao exterior. 

Incluindo, respeitosamente, parte considerável da mídia tupiniquim. Cuja ainda acha que "o Brasil é o melhor do mundo, por ser (e único, até hoje, ao menos) pentacampeão do mundo"... 

O nome Espanha, é por ser um país considerado "concha de retalhos". São, na verdade, regiões com culturas e até idiomas completamente diferentes, separatistas, umas das outras. 

O que a própria seleção já sofreu. Mas, hoje, nessas horas de Copas, parece mais unido. Aí, com essa força, ao contrário do Brasil, bem pensada e executada, chega ao topo. Repito, dando espaço ao talento e individual, mas, igualmente, ao espaço bem trabalhado e em coletiva. 

Gostando ou não, não é a única maneira de vencer jogos e competições. Mas que produz a estratégia, ao seu estilo e de acordo com fases. Inclusive, físicas e mentais das partidas. 

A priori do "cérebro", do meio-campo, como já dizia, o Redondo. Isso, em um atual time jovem e elenco renovado, e energizado. Ao contrário, da aguerrida e organizada, mas rodada e com cara de velha (que chegou ao seu limite), Argentina. Da Copa, que se encerrou, ontem.

O que sobra na fúria, falta no Brasil.

Parabéns, la roja... 

E quanto ao Brasil, se não mudar e melhorar a mentalidade, não adianta reclamar... 

Seleção do Blog: Dibu Martinez, Pedro Porro, Cubarsí, Lizandro Martínez e Cucurella; Rodrigo, Olmo e Bellingham; M'Bappé, Dembélé (que, talvez, ganhe novamente o melhor do mundo, no fim do ano) e Messi. Técnico: De Lá Fuente, com destaque, também, pro Scaloni. Fora, Descamps, que se despediu da França e friso ainda: que Tuchel, com a Inglaterra, começou bem, enfrentou momentos de tempestade. Poderia ter ido a final, mas o 3° lugar, foi a melhor posição, depois de muito tempo, do English Team...


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